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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O coito (único) do Morgado

Corria o ano de 1982, ano em que pela primeira vez a questão do aborto foi levada à Assembleia da República.

Tal como nos dias de hoje, na altura o CDS-PP defendia o Não com toda a “pujança e força” que podia, tendo no seu “corpo de argumentação” o deputado João Morgado.

No dia 2 de Abril, o já referido deputado do CDS, pronunciou as seguintes palavras “O acto sexual é para ter filhos”.

No dia 3 de Abril, na Assembleia da República, Natália Correia respondeu em poema, desencadeando a gargalhada geral na Assembleia, e obrigando mesmo à interrupção dos trabalhos...

Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.

Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento ,
só usou - parca ração!
-uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

(3 de Abril de 1982 por Natália Correia)


Nunca o Senhor João Morgado respondeu!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Ficou capado o Morgado.

«O acto sexual é para ter filhos» - disse na Assembleia da República, no dia 3 de Abril de 1982, o então deputado do CDS João Morgado num debate sobre a legalização do aborto.

A resposta de Natália Correia, em poema - publicado depois pelo Diário de Lisboa em 5 de Abril desse ano - fez rir todas as bancadas parlamentares, sem excepção, tendo os trabalhos parlamentares sido interrompidos por isso:


Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

( Natália Correia - 3 de Abril de 1982 )